• EdifícioTower Club House
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  • Problema de ventilação
  • Problemas de insolação
  • Problemas de obstrução visual
  • Problemas acústicos
  • Permeabilidade vertical
  • Permeabilidade vertical - Ventilação
  • Permeabilidade vertical - Acústica

EDIFÍCIO TOWER CLUB HOUSE

Neste condomínio residencial de Curitiba, a implantação de três torres de 25 pavimentos e 76 m de altura em um terreno com pouca testada, foi o desafio que permitiu a aplicação de conceitos que já vinham sendo estudados pelos arquitetos. O conjunto de soluções proposta tem sua origem numa monografia vencedora de concurso sobre gestão ambiental e urbana, promovido pela prefeitura de Curitiba em 1994. A configuração espacial distribui as três torres de forma a evitar a criação de "paredões". A forma em L do pavimento- tipo propicia a liberação das visuais e garante a criação de uma praça de animação no centro da quadra. Para viabilizar a circulação de ar, melhor insolação e controle acústico, amenizando a posição de "fundos"da última torre, foram concebidos grandes vazios, que ocupam dois andares (5,4 m de piso a piso). Nestes espaços foram criados apartamentos.

Os vazios funcionam como flaps, diminuindo a intensidade e possibilitando melhor distribuição dos ventos. Permitem que os raios solares permeiem regiões que estariam em situação de baixa isolação e aumentam o período de isolação das fachadas dos edifícios, quadro que mantém a umidade em níveis apropriados ao conforto ambiental. A acústica também é favorecida, pois os jardins suspensos detêm a propagação de ruídos e diminuem a reverberação e ressonância entre os edifícios. Plasticamente, as torres foram tratadas como três volumes independentes com trechos que as interligam visualmente. Assim, mantêm uma unidade quando observadas individualmente, mas harmonizam-se quando observadas em conjuntos. A primeira torre integra-se à via pública através de um jardim sem barreiras, de uma loja de conveniências e de um banco 24 horas. Dois acessos independentes (social e de
serviços) garantem o funcionamento do condomínio, sem interferências de abastecimento dos serviços e de acesso dos funcionários.

Ficha técnica
Obra: Tower Club House.
Cliente: Hugo Peretti & Cia. Ltda.
Localização : Curitiba, PR.
Área do terreno: 3.011,20 m2.
Área construída: 26.376,00 m2.
Data do projeto: 1994.
Data da construção: 1996
Equipe técnica Arquitetura: Realiza Arquitetura e Planejamento,
arquitetos Frederico Carstens e Antonio José Gonçalves Júnior.
Construtora: Hugo Peretti & Cia. Ltda.
Consultoria e execução do projeto de esquadrias: Aluenge Esquadrias.
Fornecedor de alumínio e vidros: Engevidros.

Ficha técnica
Obra: Tower Club House.
Cliente: Hugo Peretti & Cia. Ltda.
Localização : Curitiba, PR.
Área do terreno: 3.011,20 m2.
Área construída: 26.376,00 m2.
Data do projeto: 1994.
Data da construção: 1996
Equipe técnica Arquitetura: Realiza Arquitetura e Planejamento,
arquitetos Frederico Carstens e Antonio José Gonçalves Júnior.
Construtora: Hugo Peretti & Cia. Ltda.
Consultoria e execução do projeto de esquadrias: Aluenge Esquadrias.
Fornecedor de alumínio e vidros: Engevidros.

A QUALIDADE DO MEIO AMBIENTE URBANO depende fundamentalmente das diretrizes e ações a nível de região e da cidade, mas fica cada vez mais evidente as relações diretas entre meio ambiente e energia versus o desenho urbano, a arquitetura a morfologia da cidade. O interesse por um meio ambiente AUTO RECICLÁVEL E CONFORTÁVEL nos aponta para relações corretas entre fatores ambientais e soluções arquitetônicas através do RESPEITO AOS SENTIDOS DO HOMEM, freqüentemente agredidos por diversos tipos de poluição que causam maus odores, ruídos insuportáveis, desconforto térmico e visual, e DO USO PASSIVO da energia concretizado mais pelo desenho urbano do que pelo uso de instalações de alta tecnologia e custos inviáveis que caracterizam o uso ativo da energia. A GESTÃO AMBIENTAL URBANA ATUAL não pode desconsiderar os fatores ambientais e energéticos desfavoráveis que são criados através de atitudes inerciais no contexto do planejamento urbano e deve então, buscar e incentivar soluções de melhora da qualidade de vida dos habitantes de nossas
cidades.

O EFEITO PAREDÃO

Um bom exemplo de como o plano urbano induz a configuração espaciais e a módulos arquitetônicos semelhantes são os "paredões" de edifícios. É comum observarmos nas grandes cidades a disposição de massas edificadas de forma paralela ao longo das ruas. Pela grande altura dos edifícios e pouca distância entre os mesmos o espaço resultante é repleto de inconvenientes à boa qualidade de vida dos habitantes destas regiões. Esta situação constitui-se em um DESENHO URBANO TÍPICO resultado dos planos urbanos para áreas de grande adensamento onde os pequenos recuos laterais, aliados ao alto potencial construtivo geram edificações de elevados gabaritos e muito
próximas entre si. Esta situação vem sendo dominada de EFEITO PAREDÃO.

Os problemas decorrentes desta morfologia podem ser classificados em:
A - problemas de ventilação,
B - problemas de insolação,
C - problemas de umidade,
D - problemas acústicos,
E - problemas de temperatura,
F - problemas de poluição atmosférica,
G - problema de consumo de energia,
H - problemas de obstrução visual,
I - problemas de saúde e estresse dos habitantes.

Estes problemas supracitados, atuam em conjunto e tornam-se causa e conseqüência um dos outros numa relação caótica e agressiva à boa qualidade da vida urbana.

A - PROBLEMA DE VENTILAÇÃO
Os edifícios atuam como barreiras aos ventos causando áreas de forte pressão positivas e outras negativas, podendo gerar também o incremento da velocidade do vento seja pela sua altura ou pelo efeito corredor. As altas velocidades do vento acarretam áreas impróprias para a permanência urbana como playgrounds e áreas de recreação que nunca são usadas, acarretam também problemas nas esquadrias como trepidação, vibrações e vazamentos.As zonas neutras são sinônimos de áreas mal areadas que contribuem em muito para surgimento de mofo e poluição do ar, já que se cria um torvelinho a sotavento que apresente uma região de troca de ar muito pequena.

B - PROBLEMAS DE INSOLAÇÃO
Em função da orientação dos edifícios notaremos surgimento de áreas com pouco ou nenhum período de insolação ao longo do dia. Os efeitos danosos à saúde decorrentes de falta de insolação são claros e evidentes. A diminuição da temperatura nas zonas de sombra também pode ser facilmente verificada.

C - PROBLEMAS DE UMIDADE
A associação de ares com pouca ventilação e muita sombra conduz a elevados índices de umidade, capazes de gerar desconforto e insalubridade aos moradores. Em Curitiba por exemplo zonas sem ventilação cruzada atingem facilmente índices superiores a 100% causando condensação, paredes molhadas, mofo...

D - PROBLEMAS ACÚSTICOS
O paralelismo e proximidade entre os planos das edificações tendo uma rua entre suas faces gera uma associação altamente danosa. Em alguns locais, como setor estrutural de Curitiba atingimos níveis de saturação. Os automóveis funcionam como fonte de ruído e o paralelismo entre os prédios causam ressonância e reverberação apresentando valores superiores a 82 D.B. Segundo pesquisa do professor William Barbosa (Prof. Titular do Departamento de Engenharia Mecânica UFPR) o setor estrutural de Curitiba (onde se concentram os "paredões" da cidade) apresentam um padrão de ruído externo definitivamente inaceitável de acordo com critérios do H.U.D (Dep. de Habitação e Desenvolvimento Urbano do E.U.A).

E - PROBLEMAS DE TEMPERATURA
Nas regiões altamente adensadas com grande superfície de pavimento, concreto e edifícios próximos entre si, a emissão do calor dos equipamentos domésticos, comerciais, a concentração de veículos e fontes poluidoras modificam o clima urbano, favorecendo ao armazenamento térmico evitando as perdas de calor e formando o efeito ilhota térmica, e de inversão térmica.

F - PROBLEMAS DE POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA
Resultado dos problemas supracitados e com formação de áreas estagnadas com ar quente, úmido e poluído com formação do smog a poluição atmosférica é evidentemente agravada pela concentração e dificuldade de dispersão.

G - PROBLEMAS DE CONSUMO DE ENERGIA
Direta ou indiretamente milhares de equipamentos desumidificadores, aquecedores, ventiladores, esterilizadores, condicionadores térmicos entre outros são adicionados para amenizar os efeitos catastróficos do efeito paredão causando um desperdício inconcebível nos dias atuais.

H - PROBLEMAS DE OBSTRUÇÃO VISUAL
A formação dos corredores ou paredões torna a cidade terrivelmente previsível e opressora do cidadão. A falta de visuais de efeito e de continuidade visual aliada a escala gigantesca das edificações reduz a capacidade de leitura da cidade.

I - PROBLEMAS DE SAÚDE E ESTRESSE
A doença urbana ou estresse do homem moderno deve muito às conseqüências danosas do efeito paredão, seja pelo desconforto térmico, sonoro, de insolação, visual entre outros que acarreta aos habitantes destes espaços.

A ARQUITETURA SUBSIDIANDO O PLANO URBANO COMO AMENIZAR O EFEITO PAREDÃO

Da solução arquitetônica para o plano, da viabilidade do módulo para a solução do conjunto. Este trabalho de revisão do plano urbano pode ser exemplificado como segue. A criação de vazios ao longo dos edifícios constituí-se na solução mais rápida e fácil de solucionar o problema dos corredores de massas edificadas, os verdadeiros muros que proliferam nos centros urbanos, visto que uma diminuição drástica do coeficiente construtivo ou aumento dos recuos laterais inviabilizariam a ocupação econômica de nossas cidades.

Essas aberturas podem ocupar um pavimento inteiro ou parte do pavimento, podem ter 1 pé direito, 2 ou mais de altura, podem manter relações com edifícios vizinhos formando praças ou ruas suspensas, ou seja, podem variar em formas e dimensões dependendo dos resultados esperados. Estes vazios podem ser destinados a jardins, à recreação, às atividades públicas ou comerciais, podem ter seu uso particular ou público de acordo com as características das diferentes regiões da cidade, seus aspectos ambientais e sócio/culturais.

Quanto as suas proporções pode ocupar edifícios isolados em altura variáveis ou podem estar sujeitos a associação criando ruas suspensas ou praças. Por criar uma permeabilidade nos paredões de edifícios, denominamos este sistema de "Permeabilidade Vertical".

O estímulo à criação destas aberturas caberia a legislação municipal, considerando as áreas de vazios como áreas não computáveis ou transferindo o potencial construtivo que o empresário perderia com os vazios, de áreas de maior para menor capacidade de adensamento (de zonas estruturais e centrais para ZR4, ZR3, ZR2, no caso de Curitiba) onde o efeito paredão não é sentido.

DEMONSTRAÇÃO DA PERMEABILIDADE VERTICAL

A- VENTILAÇÃO
Os vazios funcionam como flaps diminuindo a velocidade do vento tanto vertical quanto horizontal (efeito corredor). Possibilitam também a melhor distribuição dos ventos equilibrando áreas de alta pressão positiva ou negativa. E, como efeito mais benéfico, a permeabilidade vertical melhora consideravelmente a dispersão de poluentes e reduz a umidade, visto que se criam muito mais áreas de troca de ar.

B - INSOLAÇÃO
Os vazios fazem com que os raios solares permeiem regiões que antes estariam em situação de baixa insolação e aumenta o período de insolação das fachadas dos edifícios.

C - UMIDADE
A facilidade de ventilação e insolação faz com que a umidade volte a níveis apropriados ao conforto ambiental.

D - ACÚSTICA
Funcionando como verdadeiras esponjas com altíssimo grau de absorção os vazios detém a propagação de ruídos e diminui a reverberação e ressonância entre os edifícios. Vale ressaltar que o piso e laje dos vazios deve ser revestido com materiais de alta absorção evitando inconvenientes para os moradores do edifício.

E - TEMPERATURA E POLUIÇÃO
Os efeitos de inversão térmica e ilhotas térmicas e poluição são reduzidos sensivelmente pela facilidade de circulação do ar em qualquer momento do dia.

F - CONSUMO DE ENERGIA
Os equipamentos de controle ambiental como circuladores de ar, ar condicionado, esterializadores, entre outros tem uso sensivelmente reduzido uma vez que as condições ambientais tornam-se mais adequadas ao homem.

G - VISUAL
Os vazios tornam o sky line dos paredões fragmentado criando pontos focais, cenários inesperados e possibilitando a continuidade visual para transeuntes e moradores.

H - SAÚDE
Possibilitar aos moradores dos grandes centros urbanos condições favoráveis de conforto ambiental e qualidade espacial reduz consideravelmente as predisposições para as doenças urbanas e estresse.

FONTE TÉCNICA

MARILDA OLIVEIRA DIAS - Chefe de divisão de fiscalização e Controle de Poluição da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
PROF. ALEXANDRE TON DOS SANTOS - Arquiteto. Professor da PUC/PR. Especialização em arquitetura bioclimática e arquitetura bioambiental. Estudos aprofundados em arquitetura urbana. Energia na arquitetura urbana.
PROF. WILIAM ALVES BARBOSA - Professor Titular do Departamento de Energia Mecânica da UFPR.
PROF. INÊS MORRESCA DANNI-OLIVEIRA - Professora do Departamento de Geografia da UFPR.
PROF. DOMINGOS BONGESTABS - Professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR.

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